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Como cuidar da saúde mental dos idosos em tempos de pandemia

Pessoas idosas são o principal grupo de risco para a Covid-19 e, por isso, precisam ficar totalmente isoladas, o que pode afetar a saúde mental delas

Para conter a disseminação do coronavírus que se espalhou pelo mundo, uma das principais medidas é o isolamento social. Porém, o isolamento pode causar algumas consequências negativas à saúde mental, porque as pessoas podem se sentir sozinhas ou mais ansiosas do que o normal. Para quem já sofre de um transtorno mental, como depressão, o confinamento pode facilitar o agravamento do quadro.

Essa questão é especialmente importante no caso de pessoas idosas, que são o principal grupo de risco vulnerável a desenvolver complicações pela Covid-19 e, por isso, precisam ficar totalmente isoladas. Em muitos casos, elas sentem falta da interação social e do contato com familiares e amigos, ficando mais tristes e ansiosas.

Até mesmo a visita de familiares passou a ficar mais rara, devido ao receio de uma possível contaminação. Para completar o quadro, muitos idosos deixaram de fazer suas consultas médicas de rotina, até mesmo aqueles que precisam tratar doenças preexistentes.

“Há dificuldade para acompanhamento de doenças que já existiam antes da pandemia, pois os idosos ficaram muito receosos de frequentar hospitais. Essa falta de atendimento causou até mesmo mortes, devido à falta de tratamento adequado”, lamenta Juradilson de Santis Junior, diretor técnico-médico da Ecco Salva.

Reflexos da pandemia

De Santis conta que desde o início da pandemia, os idosos foram bastante impactados pelos reflexos causados à saúde física e mental. Sem sair de casa, essa população também não praticou exercícios físicos, o que afetou o bom funcionamento do corpo em geral.

Além disso, as consequências psicológicas trouxeram depressão, ansiedade, angústia e outros males que, embora atinjam muitas pessoas, durante a pandemia tiveram frequência alta entre os mais velhos. “Isso se deve à falta de uma rotina, como o trabalho, e a impossibilidade de sair de casa para a interação social”, revela.

Mas é possível amenizar os impactos do isolamento nas pessoas idosas a partir de algumas dicas:

– Converse sobre suas histórias antigas e reveja com elas fotos de momentos importantes, que tragam boas recordações. Isso ajuda a dar sentido positivo às suas experiências e reforça sua importância na vida de familiares e amigos;

– Pratique jogos de mesa, como damas ou dominó, junto com a família. Os jogos podem ser uma forma de distração para os mais velhos e ajudam a “matar o tempo”;

– Assista a filmes ou programas que gostam juntos. A atividade ajuda a relaxar e, caso vocês estejam longe, a dica é combinar de ver o mesmo filme simultaneamente, cada um em sua casa, e comentar sobre ele depois;

– Para quem está longe, essa também é a hora de usar a tecnologia a seu favor. Troque mensagens com seus entes idosos e faça ligações e chamadas de vídeos sempre que possível, pois essa ação pode melhorar muito o dia de quem está se sentindo sozinho;

– Reforce sempre que o isolamento é necessário, mas que essa fase é passageira e eles poderão sair e encontrar amigos e familiares novamente;

– Incentive-os a cuidar do corpo e fazer atividades que gostam, como dançar, cozinhar, ler, ouvir música, cultivar plantas ou tocar um instrumento. Busque na internet exercícios leves que podem ser feitos dentro de casa, como alongamentos e aulas de yoga;

– Se na casa houver um quintal ou uma varanda, é interessante que o idoso tire alguns minutos do dia para tomar sol, aproveitar para absorver vitamina D e tentar relaxar. Os horários mais indicados para tomar sol são antes das 10h e após as 16h;

– Criar uma rotina, com horários definidos para cada tarefa, ajuda a regular nosso relógio biológico e aumenta o bem-estar. No caso de idosos que estão trabalhando em casa, isso é importante para separar as horas de trabalho das outras atividades;

– Tome cuidado para não infantilizar o idoso, porque isso pode afetar sua autoestima. Apesar de estarem mais vulneráveis, pessoas mais velhas não devem ser tratadas como crianças. Deixe que elas expressem seus desejos e opiniões e mantenham a autonomia, definindo os horários para realizar as tarefas do dia a dia. Ofereça ajuda quando for necessário. A rotina deve ser confortável para eles.

Para Juradilson de Santis Junior, é importante que os familiares e amigos ajudem a manter o equilíbrio emocional dos mais velhos, inclusive para que eles possam continuar cuidando de sua saúde física. O diretor técnico-médico recomenda que os idosos mantenham uma rotina geral, pratiquem alguma atividade física, tenham horário para as refeições e façam atividades prazerosas.

“A interação social é muito importante, mesmo que por tele ou videochamadas. Também é indicado seguir algumas atividades que gerem sentimento de responsabilidade para os idosos. Além disso, manter o uso das medicações regulares melhora a qualidade de vida”, sugere de Santis.

Segundo ele, também é essencial prestar atenção a alguns sinais como desânimo, falta de energia, mudanças significativas de comportamento, perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas, alterações do sono ou do apetite. Esses itens podem ser essenciais para o entendimento de problemas de saúde dos idosos.

Em qualquer desses sinais, o indicado é procurar uma avaliação profissional de um psicólogo para identificar possíveis reflexos psicológicos da pandemia e, assim, cuidar para que não afetem a saúde física.

Fonte: site Drauzio Varela
Foto de MART PRODUCTION no Pexels